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quarta-feira, junho 22

Há histórias pra contar mais falta um jeito...

Tempo tem sido artefato supérfluo, artigo da parte mas baixa da gôndola do supermercado.
Não escrevo como gostaria (e deveria) neste blog pois, corpo e mente andam se desencontrando: Ele funciona enquanto ela descança. Ela, vem toda pimpona trabalhar quando ele se entrega á Morpheu.*
Resultado desses desencontros e 'desacasos' é esse cansaço que tem me abatido, essa preguiça que tem me vencido, e essa coisa ruim que estou sentindo por estar sentindo falta de mim mesma.
Tem coisa boa pintando, sonho tomando forma, mas, tenho sacrificado necessidades...
Alguém me mandou um email outro dia contando uma histórinha mais ou menos assim:




Um professor universitário, no fim de uma aula, pegou um vidro vazio e passou, como de costume, a refletir com seus alunos.
Encheu o frasco vazio com bolas de golfe e aperguntou:
 - O Frasco está cheio?
Em coro, seus alunos responderam que sim. Mas ele, continuou o raciocínio colocando nos espaços que faltavam bolas de gude.
- O frasco está cheio?
Novamente, ergueu-se o coro:Sim!
Já desconfiados, seus alunos responderam que sim, agora sim.
E então ele derramou areia sobre o frasco. A areia, branca e fina, que correu por entre os espaços vazios das bolas de golfe, das bolas de gude, e enfim, o professor concluiu a conversa:
- O frasco vazio representa a nossa vida. As bolas de golfe representam as coisas importantes na vida: Família, Amigos, Saúde.
As bolas de gude, representam as coisas secundárias, mas necessárias na vida: Trabalho, Carreira, Estudos, dinheiro.
A areia representa as coisas menores:Lazer, Esportes, Hobbys, Consumo, Ambições.
Se invertermos a ordem das coisas, e colocarmos no frasco a areia, não haverá espaço paras as bolas de gude e menos ainda para as bolas de golf.
E seus alunos sorriram e bateram palmas concordando com aquela reflexão tão profunda e tão simples.
Então, um deles levantou do fundo da sala, tirou uma lata de cerveja de dentro da bolsa e derramou dentro do frasco. Vendo a atitude dele, questionou o professor:
- E isso, é o que?
E o aluno que carregava bebida na bolsa respondeu:
- Não importa o quanto o frasco esteja cheio, sempre haverá espaço pra uma cervejinha!


E eu to me vendo trocando a ordem dos fatores...
Mas, hoje é véspera de feriado e hora perfeita de botar cada coisinha em sua devida gaveta.
Não sei direito onde me perdi, mas quer saber? Vou alí na cozinha buscar uma cerveja.


*Morpheu, deus dos sonhos.

sexta-feira, junho 10

Para os 5 anos da minha filha.

Biju;





Hoje é o dia mais bonito do ano, e ele é todo seu! Você completa mais um aninho, mas, quem realmente comemora somos nós.
Comemoramos seu doces olhinhos, seu sorriso de todo dia, seu beijinho de toda hora, seu abraço, melhor lugar do mundo... Sua saúde, sua inteligência, e, contrariando nossas ordens, comemoramos até mesmo as suas artes.
Comemoramos o amor revelado naquele instante em que você cruzou seu olhar com o nosso e agradecemos esse grande presente, sermos seus pais.
Nem que falássemos a língua de todos os homens e todos os anjos poderíamos pedir a Deus algo maior ou mais bonito que esse amor, que hoje chega a doer dentro do peito.
Que bom que você nos escolheu!
Que bom poder te ver completar mais uma etapa, subir mais um degrauzinho na escadinha da vida.
E não importa o que aconteça, estaremos sempre com você.
Parabéns Nicolly...

Te amamos do umbigo!

Mamãe e Papai.


quinta-feira, maio 12

Pra Cynthia...

Trilha sonora especial: Adele, aqui.



É íncrivel e maravilhosamente encantador o modo como as pessoas cruzam nossos caminhos e de repente passam a ser parte de nossas vidas.
Talves sejam essas coisas, e o fato de abrindo o google encontramos mais resultados pra 'amizade' que pra 'raiva', que me fazem abrir os olhos todos os dias e agradecer a Deus por me dar a chance de encontrar pessoas tão bonitas no meu caminho...
Você é uma dessas pessoas Cynthia Eliane...
Cruzou meu caminho, surgiu no meu computador a menos de um ano, e, ainda que pessoalmente a gente tenha se visto apenas uma vez, é minha amiga nos momentos que mais preciso como muitas amigas de infância não conseguem ser.
A gente reclama bastante junta, mas também ri muito até dessas reclamações. E esse jeito que a gente encontra de rir da vida é coisa única, alegria que não se compra.
Você tem me ensinado muito...e sabe disso. A gente troca experiências praticamente todos os dias, mas você tem me ensinado o quanto é preciso ser paciente, o quanto é preciso correr atrás das coisas, o quanto é bom não depender de sentimentos e boas vontades alheias...
Esse seu jeito de me dar conselho sem invadir meu espaço,de ser sincera de um jeito absoluto, de me ensinar a valorizar as coisas pequenas que conquisto,de me ouvir como se o resto do mundo precisasse parar por alguns minutos, de me ensinar a fazer receitas que você nem sabe, só somam coisas boas na minha vida e nessa nossa amizade, que mesmo longe física e geograficamente, faz nossos corações baterem no mesmo ritmo a maior parte do tempo.

Como é bom ter uma amiga pra chamar de Franga!


Obrigado por estar aqui.

quarta-feira, maio 11

Doce fim de noite.



Só um pouco de paz e vapor de chá de hortelã pimenta,
e os dissabores do mês difícil desaparecem feito fundo de xícara de chocolate quente.
Um polvilhar de canela contra a preguiça de contar histórias repetidas.
Pensamentos que se acomodam em aroma de erva-doce no quarto, pra amadurecem enrolados em jornal igualzinho banana da terra em fruteira de fazenda.
Verdades que grudam feito mel de laranjeira em panqueca de desenho animado.
Saudades que se findam em torrões de açúcar, pra que haja espaço pro cheirinho do café expresso energizar um novo amanhecer.

terça-feira, maio 10

Nosso altar particular - Parte I

http://www.youtube.com/watch?v=peelgWX1oZg

Há quem decore a vida na ponta da língua
Outros rabiscam o próximo passo 
Na ponta do acaso
Aqui, nessa estação, onde um outono
instrumental inspira a queda das
palavras , minha força escorre poemas
pelo cedro deste palco , assim como
meus pés cravam a fidelidade aos
sonhos desses guris atrevidos que
aqui brotarão virtuosos , aguerridos
com seus estilingues de cordas
vocais de nylon e de aço , apedrejando
a covardia dos homens secretos a si
Fábula em partituras da Gata de Botas!
Maria e seus Joões cantam o caminho
de volta para o íntimo
hasteiam leves uma bandeira
toda bordada de mocidade
Doces rendas melódicas, ponto a ponto
terras descobertas, a cada acorde
Um ensaio para acordar
um moço jeito de existir
sem a intenção de trocar de mundo,
apenas unir quem não coube
em sua acidez.
Inventamos aqui ,  nesse solo fértil,
veraneio da arte, palco do palhaço
"Rendez-vous"
Um baile de amigos em pleno
velório do falecido monstro que cobria
o horizonte de quem ama o que se pode ser.
Aqui jazz uma solidão ignorante.
Naufragam agora todas as farsas
escritas pelo céu.


(...)


Parte do poema de Caio Sóh.
Escrito no palco, na gravação do DVD de Maria Gadú.


________________________________________________________________
* Esse DVD foi o presente que me dei de aniversário... É uma experiência musical única e que precisa ser dividida. Falarei mais dele por aqui.*

segunda-feira, abril 25

(Des)Conexões (In)Constantes.

Ou ainda texto sobre todas as pessoas ou coisa nenhuma...


Definitivamente, as pessoas não são quem a gente quer que elas sejam, e nós, estamos bem longe de sermos o que as mesmas pessoas esperam que a gente seja.
Tentar mudar isso é perda de energia, saúde e tempo, porque a gente no fundo quer 'construir' pessoas que "nem a gente somos"... E essa é a regra, não a excessão.
E o que a gente faz quando passa da linha do 'quero dos outros o que não faço para os outros'?
Toma um Bup, chora enrolada no edredom, escreve alguma coisa, e faz umas sessões de terapia se achar necessário.
Bom de toda essa inquietude e insatisfação naturalmente humana é que no fim das contas, um dia a gente pára de fazer perguntas, cai na real de que são as respostas que movem o mundo e que, as pessoas, esses pobres animais, são o que de melhor esse mundo tem pra oferecer...


E aí eu me pergunto, em meio a tantas projeções e tanta fé, é a gente que faz a vida ou é a vida que faz a gente?
E se alguém souber essa resposta me liga por favor e alivia esse peito cheio de vontades e medo...
Tão complexo isso né? Essa coisa de trilhar caminhos aos caminhos do acaso. Construir castelos de dois comôdos e tijolos de barro queimado...
Às vezes meus 23 anos pesam como se fossem 40. Me pego pensando pequeno, finito.
Mas, pensamento passa... E já disse Dumbledore que são as atitudes que revelam quem somos não é mesmo?


Eu dormi mal esta noite, tive dor de estômago depois do almoço mas mantive o humor bom. Inquieta com as novidades que o João de Barro dos meus sonhos pode trazer nas asas...
Fiz cara de paisagem pra vida.
Pensei madrugadas, senti perfumes do passado, goles de afeto...
E sentei aqui... pra falar das (des)conexões que você também sente mas não fala. Pra escrever da (in)constância que só uma mulher sabe escrever mas não sente.


Ah...eu sei lá....
Simplesmente me abrace...

terça-feira, abril 19

DeSEjos de Outono...

trilha sonora especial aqui.

Quero uma quinta feira fria, uma casa na serra branquinha. Vitrais fechados, cortinas cor de lavanda entreabertas, um gato ronronando na varanda.
Quero um sofá antigo de tecido floral, um tapete bem felpudo... Um moletom bem folgado, um edredon xadrex, muitas almofadas pra eu me jogar, lendo Clarice Lispector com uma enorme caneca de capuccino e uma bacia de bolinhos de chuva.
Quero farfalhar de árvores, pinguinhos de chuva e um cochilo gostoso.
Quero ver Deus pintar o céu de laranja da janela do meu banheiro no fim da tarde, enquanto o vapor embaça espelhos, vitrôs e azulejos e o morninho do sol se mistura com o arrepio da brisa.
Quero um outro moletom. Quero velas acesas no aparador e família sentada na mesa repleta de pães e queijos quentinhos, Merlot bem encorpado e chocolates.
Quero colchão de espuma, travesseiro de penas numa fronha amarelecida cheirando roupa limpa e um cobertor de pêlos.
Quero recostar minha cabeça no ombro que eu mais amo no mundo, sonhar com vitrines da Oscar Freire e acordar ouvindo Maria Gadú.

segunda-feira, abril 11

200!

Pois é!
Tempo passa e tô aqui denovo, cheia de alegria postando pela duzentéssima vez (sic!) um pedacinho do meu coração no meu querido, amado, idolatrado salve salve blog.
Eu gosto disso. Pura e simplesmente.
Eu escrevo, externo o que sinto e de formas diversas atinjo outras pessoas... isso é assustador e lindo!
Quando eu leio Marla, Lena, Clarice, é como se elas tivessem escrito pra mim, me lendo. Já recebi inúmeras mensagens de pessoas me dizendo isso. Que ajudei, que confortei, que animei, fiz chorar ou rir.
Me sinto meio Marla, meio Lena, meio Clarice e me entrego pra esse turbilhão de palavras que tentam de alguma forma se enfiar nesse texto sem poesia nenhuma...
200 posts...
200 carinhos...
200 vezes eu estive aqui... 


Esse post contém trechos de textos que fazem parte da mini-história deste blog (assim com hífen mesmo?).
Escolhidos por mim, pelas estatísticas do blog que me apontam os textos mais lidos e por pessoas queridas que de alguma forma, levaram um pouquinho de mim e deixaram alguma emoção para mim lendo este blog e me ajudando a erguer as paredes de vontade e verdade que o cercam.
Eu agradeço de coração aos que me seguem, aos que comentam, aos que curtem, recomemdam e aos que de partes distintas do mundo param por aqui. Esse post é uma oportunidade de relembrar, reconhecer e conhecer um pouco de mim, e quem sabe, um pouco de você sob minhas palavras...


Aproveite, sinta, ame.


E volte sempre!
200!



É que eu sempre gostei dessas metáforas impossíveis.

Abraçar o vento, beijar o sol, mergulhar no teu olhar, despir a alma...

Porque apesar de encontrar felicidade nas coisas pequenas, e ter um certo dom pra tornar o comum especial, é o diferente, o intangível que me empurra pra frente.

E intangível é palavra tão bonita!



Um bom samba cura quase tudo.


Estresse,cansaço, mal humor, solidão, saudade. Só não cura gripe.


Vivi 49 dias maravilhosos do lado dele, sem acreditar direito que era comigo que ele tava meeesmo dormindo. Lhe dei uma gaveta no meu guarda roupa, uma escova de dentes e uma camisa do Corinthians.
E um dia, assim sem mais na fila do supermercado, eu desdenhei da realidade mais irreal da minha vida.
Olhei para aqueles olhos melados e não contive a emoção:
“Vai ser gostoso assim lá na puta que o pariu!”
E ele foi...

Espreito gritos de glória, numa tentativa previamente frustrada de sair dessa lama e me banhar nas águas de alguma vitória.
Talvez a sorte tenha me procurado outrora, e eu, em pecado capital preguiçava sob algum joelho feito gato carente, e ela foi-se embora sem que eu abrisse a porta do ateliê.

No fundo, no fundo...eu sempre quis ser a 'flor da noite da boate azul'...


E ela chega assim, de repente, me abraça forte com seus bracinhos finos e diz: Não vou soltar nunca!

Corre uma lágriminha de felicidade. E eu adormeço de rosto colado com ela, no melhor lugar do mundo...


O respeito é essencial, errar é inevitável, poucos amigos são de verdade e para sempre, dedicação sempre gera bons resultados. Dignidade e caráter valem mais que dinheiro, e o trabalho é sempre o melhor meio pra conseguir os três. O tempo inevitavelmente passa, a vida inevitavelmente muda, a gente inevitavelmente envelhece, os pais sempre tiveram razão.



Sei que, quando ele chegar, assim, de costas e camisa rosa, minha alma vai dar a ele um cavalo branco e um castelo, e se nele não couberem todos os meus sonhos materializados, não importa. Vou dar a ele de presente uma camisa listrada.
Porque ao lado de um homem de camisa listrada a gente se sente dentro de um samba da Alcione...

Muita água já passou por debaixo dessa ponte que contruímos com amor, companheirismo, paciência e lealdade, e hoje, celebro a oportunidade de poder amanhecer do seu lado amanhã outra vez, e juntos, esperarmos por toda água que ainda virá!

Amo você!


Um dia no topo do céu, outro escondidinha sob uma nuvem mais densa. Dias de ego inflado, feito lua cheia exibindo qualidades, dias amenos, quase minguando com vontade de ir logo pra algum lugar que ninguem perturbe.

Outros, ainda, de crescentes esperanças de que amanhã as estrelas estaram brilhando conosco.


Era amor, sem nunca ter amado.

Era eterno, mesmo sem ter início.
Era desejo na presença e na ausência.
Era saudade atarracada.


Era ele, sem nunca ter sido.
E só o momento era meu...
Na intensidade, só o momento era meu...

- Escolha da Novinha, do Mulher na Polícia.

Brincar é legal. Lamber a tampa do iogurte também.

Não há mal nenhum em ser menos racional, em ser menos exigente consigo mesmo.
Amanhã vai ser tomorrow outra vez.


Pudera eu prendê-los dentro do fundo falso de uma gaveta, sem perigos, sem saudades e onde eu pudesse experimentar todos os dias a sensação de poder absoluto sobre cada um de seu passos.

E aquelas músicas todas que a gente ouve e se lembra uma da outra porque nos dizem tantas coisas...

Eu só queria te dizer que eu descobri do que é capaz uma amizade só depois que eu te conheci.
Agora eu sei que amizade é uma outra forma de amor possível e puro.



Pelo jornal o dia chega
Com as letras negras do que está por vir
Pelo meu sonho era tudo bem
Você passava e olhava pra mim
Seu olhar miragem
Surgindo na paisagem de fumaça e luz
No paraíso, amor, um dia
Imaginamos cidades azuis

(Letras Negras - 25/12/2010)
- Escolha do Sandro Dálio, do Cornetando)



O peito se ampliando em carinhos como naquela proposta antiga de Roberto Carlos – ‘eu te proponho te dar meu corpo, depois do amor o meu conforto, e além de tudo, depois de tudo, te dar a minha paz!’ . 
Suspensa no tempo, suspira teus dedos, teus beijos, teu cheiro, tua carne.
Se lembra do barulho do banco de couro arranhado pelos amassos e se cala em seguida pra prender o sentimento e adormecer numa mistura de prazer e glória.


E vou pedir um café pra nós dois...
Dois pães com margarina, um café preto, um cappuccino light e uma rosa amarela. Um beijo molhado e uma declaração de afeto pra matar a fome da esperança, que insiste em pedir pro passado se fazer presente, no anseio de que uma rosa vermelha seja servida no jantar com vinho, chocolates e amor.
- Escolha da Andressa Campos.


Ela vai bater asas, eu sei...
Mas aconteça o que acontecer, permita Deus que eu esteja sempre ao lado dela.

Perder faz parte do jogo, continuar é a melhor opção.
Afinal, quando a conta bancária não permite que reformemos a casa toda, raspamos as economias e vamos recapear a calçada...

E quando a porta abrir eu vou esquecer todas essas dores e apagar todas essas mágoas.
O vento vai estar forte, tão forte, que num lapso vou perder de vista esses absurdos surtos de amanhã agora.
Vou dispor desses bobos delírios que só me trazem amarguras e aquietar meu coração.
- Escolha da Lara Amélia, minha irmã.

quarta-feira, março 23

Salmo 129.

"Ponho a minha esperança no Senhor. 
Minha alma tem confiança em sua palavra. 
Minha alma espera pelo Senhor."
(Salmo 129, 5 e 6).
Há 27 dias, perdi uma tia-avó muito querida vítima de um câncer, uma faca de dois gumes: partir era sofrimento, ficar era ainda mais.
A Tia Dirce tinha uma essência simples e linda, de um caráter incontestável, sempre falava o que pensava sem se importar se quem ouvia gostaria ou não. Dedicou a vida inteira a cuidar do meu Tio e dos seus quatro filhos, homens de personalidades completamente distintas e tão dignos quanto ela.
Aos 57 anos, morreu feito um passarinho, na calmaria que só visita os bons. A doença atacou o corpo, mas foi à alma que padeceu e não agüentou a dor.
Cheguei na casa dela pouco tempo depois de receber a notícia, e apesar de ter 7, talvez 8 pessoas ali, até o cachorro e a baitaca, seus eternos companheiros escondiam-se parecendo sentir o silêncio pesando nos cômodos da casa, enquanto se driblava a dor pra acertar a buracracia. 
Eu ali sem conseguir pensar direito, na casa onde brinquei infinitas vezes, onde minha filha brincou outras tantas; Na cozinha dela, onde sempre tinha pão e café fresquinhos parecia tudo tão bagunçado...
Queria chorar, mas olhava pro caçula, que só tem 13 anos, tentava mensurar a dor que ele estava sentindo, pensava no tanto que precocemente, teria de amadurecer pra agüentar a ausência da mãe...
Decidi me fazer de forte pra não piorar as coisas, afinal, é assim mesmo que a gente aprende a ser forte não é? Fiz a escolha certa. Chorei no chuveiro, lugar onde se lava as tristezas.
Tudo tem um propósito debaixo deste céu, eu sei, mas no auge do nosso egoísmo, a gente quer as pessoas do nosso lado, ainda que lhe faltem pedaços... mas quer.

A morte vem envolta na túnica negra dos arrependimentos: porque não amei mais?Porque não passei mais tempo com ela?Porque não fiz mais por ela?Por que ela?
Tira de nós as melhores expectativas, tira a esperança, enche de revolta. Finda.
Talvez, a única coisa que unanimemente temos em comum é a certeza de que a morte chegará para todos. Ainda assim, não nos preparamos pra tê-la por perto. A gente vai crescendo e de certa forma ficando calejado com as dores que ela provoca, mas não aprende como lidar com ela nem qual a melhor forma de agir quando ela finca seu cetro pesado e brilhante de eternidade no nosso chão.
Desde que meu avô (meu único pai) faleceu há muitos anos eu não me sentia tão perdida com essa história buscar fundamentos para explicar o inexplicável...
Segurei o tranco quando meu primo Fernando (que tem praticamente a mesma idade que eu, e com quem cresci brincando) me pediu para que levasse a filha dele, que é Nicole igual a minha pra se despedir da Vó Dirce. Achei que não seria capaz de escolher as palavras, com a menina no colo vendo meu primo com os lábios tremendo querendo chorar...
Ela era a única neta...
Cena comovente?Para alguns sim, para outros desnecessária, para outros ainda errada.
Para mim a certeza de que minha Tia iria embora em Paz.
Tremi durante alguns minutos depois, e desabei num turbilhão de pensamentos vendo o pranto da minha irmã, que só tem 16, perdendo a amada madrinha três dias antes do seu aniversário. No questionamento inconsolável da minha avó e outra tia, cunhadas-irmãs da Tia Dirce lamentando ter que enterrá-la tão mais jovem que as duas. No olhar vazio dos filhos dela, que suprimiam a tristeza na lembrança do triste e longo sofrimento que a mãe enfrentou antes do fim...

A morte tem dessas coisas. Te fortalece e te joga no chão.
A minha Tia está certamente bem melhor do que estava aqui, numa cama e cheia de dores. Deve estar com sua mãe e meus bisavós, de quem ela tanto cuidou.
E se é que há algo bom pra tirar de tudo isso, é essa reflexão que a morte trás consigo quando a poeira baixa. Essa vontade de rever valores e de dar verdadeiro valor a quem merece, de cuidar de quem você tem na vida, e não do que você tem.
Vai ver é essa sua função principal... Vir para que a gente dê valor à vida.
A Tia Dirce foi embora, e vai fazer muita falta pra nós. Queria poder dizer o contrário, mas... nós vamos continuar daqui, fingindo que a morte não existe e sentindo essa imensa saudade.

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Tia, que bom que fez parte de minha vida!

domingo, março 20

Sobre a minha filha {3] - Inteligências.



Até suas perguntas mais estranhas me causam orgulho e alegria: você nasceu com a inteligência que tanto pedi a Deus enquanto te gerava. Inteligência essa que, pode até relutar em cumprir as tarefas escritas e obrigatórias na escolinha, mas te faz guardar e recontar historinhas, nomes de personagens de novela e músicas pra cantar comigo no chuveiro.


"...é que eu deixei, algumas roupas penduradas. Será que eu sei, que você é mesmo tudo aquilo que me faltava. Aaa....aaaaaaah!..."


E ainda ensinar um bisavó a usar o celular:
"Tia Lara, fala o número do telefone da minha mãe pra bisa. (Pausa). Pronto bisa, agora aperta o verde que vai tocar o celular dela."


E que cara faço eu diante de suas tão lógicas e precoces conclusões?


"Mãe, olha aqui no calendário!Você me mandou levar brinquedo na escola no dia errado. Porque hoje não é sexta feira, olha aqui, o dia de hoje começa com Q!"


Faço cara de mãe babona, que tá levando rasteira no quesito memória da filha de quatro aninhos.

sábado, fevereiro 19

Presente de Aniversário adiantado!

Segunda feira, 21/02 eu completo 23 anos...porém...o presente chegou hoje:


Minha Nicolly está com um dentinho mole!!!


Alguém diz aí como é que a gente controla o sorriso numa hora dessas?

quinta-feira, fevereiro 3

Antes que o sonho termine.





Antes que o sonho termine eu vou afagar teu cabelo dourado de sol e acarinhar tua barba mal feita, como quem acaricia uma lembrança.
E eu vou beijar tua boca macia, selando uma carta de amor escrita entre estiagens e tempestades, com aquela melancolia típica de manhã invernal de domingo.
Antes que o sonho termine, vou deitar no teu abraço e rezar pra que o cheiro de amaciante da tua camisa branca surrada permaneça do lado direito da minha cama.
Vou alisar teu braço forte e entrelaçar sua mão na minha, como se fosse o primeiro toque da minha pele na tua.
Antes que o sonho termine, antes que o dia amanheça, vou tirar a camisola de algodão listrada e deixar meu corpo sentir seu gosto, no teu ouvido falar besteiras, te levar além do céu, como naquele samba do Thiaguinho que a gente tanto ouviu na estrada.
E vou pedir um café pra nós dois...
Dois pães com margarina, um café preto, um cappuccino light e uma rosa amarela. Um beijo molhado e uma declaração de afeto pra matar a fome da esperança, que insiste em pedir pro passado se fazer presente, no anseio de que uma rosa vermelha seja servida no jantar com vinho, chocolates e amor.
Antes que o sonho termine eu vou me deitar...

Trasmu(d)ando...

..ou, uma oração inventada...




Quisera descansar meu peito como se houvesse outra vida em mim. Saber-me dona do meu tempo, repousada e calma na inspiração. Quisera encontrar abrigo numa paz maciça de esquecimentos. E que o dia não terminasse abrupto na eternidade do melhor momento.
Mas há que se dizer de fases em que algumas frases vêm anoitecidas. E a força foge ao controle e a tristeza invade um bocado da vida.E o choro não resolve nada, nem nos desvencilha desse mar de dor. Se o peito de engasgado cala, quem será a voz a me falar de amor?
Mas há que se dizer também que nunca uma frase dói a fase inteira. Palavra também amanhece e o pensamento tem que acordar junto. Por isso que o choro seca, que ao amor há entrega porque finda o luto. Descubro que em tempos de guerra o peito se cala, mas na poesia nunca fica mudo.
*
(Marla de Queiróz)

...só porque ela me enxerga.

quarta-feira, janeiro 26

Um Rio em Janeiro...

Mais uma vez, luto em Petrópolis.

Luto por toda a Região Serrana do Rio de Janeiro. E digo mais uma vez porque sendo moradora vejo isso acontecer ano após ano e só vai piorando.
Ontem passei o dia em casa acompanhando as notícias e a cada hora as imagens ficavam mais assustadoras e o número de mortos só aumentava. Nesse momento - 09:47h - o número de corpos encontrados é de 352. Muita gente desaparecida, pessoas que foram levadas pela enxurrada de água, lama, árvores, pedras...
Está dificil escrever. Muita coisa passando pela cabeça, mas dificil colocar em linhas aqui.
A ajuda as vitimas se faz necessário agora, entretanto a melhor ajuda deve ser feita ao longo do ano, com medidas preventivas para que tragédias como esta não aconteçam mais. A mobilização que se faz para ajudar a todos nesse momento tão dificil deve também acontecer para cobranças ao governo que simplesmente fecha os olhos em épocas de calmaria para o crescimento desordenado da cidade que vai tomando conta de encostas e beiras de rio.
Em 1988 a tragédia que matou 172 pessoas, aqui, na frente da minha casa, foi sanado com o reflorestamento do morro. Mas o número de casas 23 anos depois quase triplicou. E aí??? Haja reflorestamento para segurar tanta construção irregular. Cade a fiscalização? É isso.... é isso!!! Não há fiscalizaçao, não há preservação, não há prevenção, não há nada!!!!!
E agora, para muitas famílias, não há mais nada mesmo. Só dor!

Renata Graña Garcia - 13/01/2011
Dona do Pequenos Fragmentos de Luz e moradora de Petrópolis .


* Apesar de muita inspiração, encontrada em muitas lágrimas derramadas vendo tv durante todos esses dias, preferi deixar aqui o texto da Rê, que estava lá...vendo a Serra virar mar...
Ainda não cabe revolta. E a tristeza vem sendo preenchida pela solidariedade.

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Olhando de longe...

Aqui, do interior de SP a gente só fica olhando de longe? Não.
A Genebra Cargas (empresa em que orgulhosamente trabalho), á Rádio Clube Am, o Jornal O Debate, A PM da cidade de São Manuel e das cidades vizinhas, as Igrjas, Entidades e o povo, juntos, arrecadaram em torno de 10 toneladas de donativos que a essa hora devem estar sendo distríbuidos em Nova Friburgo e nas outras áreas atingidas.



Muitas garrafas de água, mantimentos, leite, fraldas descartáveis, roupas e calçados...



Material de limpeza, de higiene pesoal, papel higiênico, e muitos brinquedos para as crianças...



O mais bonito de tudo isso?
As pessoas que durante todo o dia chegavam até o barracão da Genebra Cargas trazendo suas doações não eram pessoas de posses, gente de dinheiro... Eram pessoas e famílias inteiras de gente simples, que rala pra ter um pouco na vida, mas sorri com os olhos quando divide parte desse pouco com os irmãos que não tem mais nada.

Rê... lindo isso não é amiga?

Ao povo de São Manuel e das cidades vizinhas, a todos que colaboraram de alguma forma com essa ação eu deixo meu particular muito obrigado.