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sexta-feira, junho 24

Nosso altar particular - Fim.

(...)


Dionísio, arauto de tudo que se une fantasticamente,
abre alas desse concerto para os desconcertados 
se banharem.
A partir de hoje uma nau de solidão
navegará aliviada dos apegos impossíveis,
e uma nova geração
desvendará a ilha daqueles
que sonham antes de dormir.
Noites serão como uma leve pluma,
lançadas ao vento com destino certo:
afago no espírito,
cócegas na alma,
himo na paz,
inibir agonias,
afrouxar todo o receio de ser desvaneiador.
Na rua do acalanto,
primeiro peito franco à direita,
casa de janelas sempre abertas e dispostas ao novo,
jardim de lindas rosas de espinhos prósperos,
varanda ao infinito,mansão cor de legítimo coração,
em frente ao público dessa nossa 
solidão.
Ali a pena dançará e 
nenhuma cãibra na  felicidade,
nem faíscas de isolamento
nos fará desistir de estarmos
"TODOS JUNTOS".


Caio Sóh, no palco da Gadú.


quarta-feira, janeiro 26

Um Rio em Janeiro...

Mais uma vez, luto em Petrópolis.

Luto por toda a Região Serrana do Rio de Janeiro. E digo mais uma vez porque sendo moradora vejo isso acontecer ano após ano e só vai piorando.
Ontem passei o dia em casa acompanhando as notícias e a cada hora as imagens ficavam mais assustadoras e o número de mortos só aumentava. Nesse momento - 09:47h - o número de corpos encontrados é de 352. Muita gente desaparecida, pessoas que foram levadas pela enxurrada de água, lama, árvores, pedras...
Está dificil escrever. Muita coisa passando pela cabeça, mas dificil colocar em linhas aqui.
A ajuda as vitimas se faz necessário agora, entretanto a melhor ajuda deve ser feita ao longo do ano, com medidas preventivas para que tragédias como esta não aconteçam mais. A mobilização que se faz para ajudar a todos nesse momento tão dificil deve também acontecer para cobranças ao governo que simplesmente fecha os olhos em épocas de calmaria para o crescimento desordenado da cidade que vai tomando conta de encostas e beiras de rio.
Em 1988 a tragédia que matou 172 pessoas, aqui, na frente da minha casa, foi sanado com o reflorestamento do morro. Mas o número de casas 23 anos depois quase triplicou. E aí??? Haja reflorestamento para segurar tanta construção irregular. Cade a fiscalização? É isso.... é isso!!! Não há fiscalizaçao, não há preservação, não há prevenção, não há nada!!!!!
E agora, para muitas famílias, não há mais nada mesmo. Só dor!

Renata Graña Garcia - 13/01/2011
Dona do Pequenos Fragmentos de Luz e moradora de Petrópolis .


* Apesar de muita inspiração, encontrada em muitas lágrimas derramadas vendo tv durante todos esses dias, preferi deixar aqui o texto da Rê, que estava lá...vendo a Serra virar mar...
Ainda não cabe revolta. E a tristeza vem sendo preenchida pela solidariedade.

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Olhando de longe...

Aqui, do interior de SP a gente só fica olhando de longe? Não.
A Genebra Cargas (empresa em que orgulhosamente trabalho), á Rádio Clube Am, o Jornal O Debate, A PM da cidade de São Manuel e das cidades vizinhas, as Igrjas, Entidades e o povo, juntos, arrecadaram em torno de 10 toneladas de donativos que a essa hora devem estar sendo distríbuidos em Nova Friburgo e nas outras áreas atingidas.



Muitas garrafas de água, mantimentos, leite, fraldas descartáveis, roupas e calçados...



Material de limpeza, de higiene pesoal, papel higiênico, e muitos brinquedos para as crianças...



O mais bonito de tudo isso?
As pessoas que durante todo o dia chegavam até o barracão da Genebra Cargas trazendo suas doações não eram pessoas de posses, gente de dinheiro... Eram pessoas e famílias inteiras de gente simples, que rala pra ter um pouco na vida, mas sorri com os olhos quando divide parte desse pouco com os irmãos que não tem mais nada.

Rê... lindo isso não é amiga?

Ao povo de São Manuel e das cidades vizinhas, a todos que colaboraram de alguma forma com essa ação eu deixo meu particular muito obrigado.

segunda-feira, janeiro 10

Quando a gente sabe que é adulto?




Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando precisa decidir entre fechar uma janela de onde você vê uma linda paisagem e abrir a porta dos fundos, onde a paisagem nem é tão bela, mas por onde coisas maiores podem passar.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando olha pra vida e percebe que mais ninguém no mundo vai tomar providências para resolver os seus problemas, como a sua mãe sempre fez.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando perde uma noite de sono escolhendo... Pagar o gás ou o telefone?

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando consegue enxergar que as pessoas que você tinha no peito como amigos nem eram tão amigos assim, e que, suas próprias mãos são o melhor apoio pra levantar do chão depois de um tombo.

E ainda quanto conta os amigos de verdade nos dedos de uma única mão.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando tem que definir as prioridades que vão fazer seu hoje, seu amanhã e o amanhã dos seus filhos. Errar aqui passa a ser perigoso.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando quebrar a cara pára de doer na cara e dói no resto no corpo.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando o que você gosta e o que você não gosta deixa de ser o que os outros gostam ou deixam de gostar.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando a palavra responsabilidade deixa de ser cumprir o horário de chegar em casa e passa a envolver uma série de outras coisas, negócios e pessoas, dependentes dos seus acertos.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando juntar cacos de um coração despedaçado passa a ser a mais fácil das tarefas que você consegue executar com uma única mão.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando percebe que guardar mágoas é como estar numa duna de areia movediça. Quanto mais você se estica pra sair dela, mais ela te puxa pra dentro.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando 8 horas de sono vira a parte mais importante do dia.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando falar o que pensa vira honra e não parte de uma personalidade.

Sabe quando a gente percebe que é adulto?
Quando você erra e se obriga a ter disposição pra arcar com o peso das conseqüências desse erro, não importa quanto tempo passe entre uma lembrança uma outra história.