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quarta-feira, novembro 24

Mulher e Ponto.


O primeiro homem que me chamou de "novinha" não era policial. Era o tipo "partidão absoluto", daqueles que roubam a cena e monopolizam as atenções em qualquer reunião social. Ele tinha 25 anos e uma família ultra tradicional vivendo no interior do meu Estado. E eu tinha 15 aninhos e uma certeza juvenil de que aquele era "o homem da minha vida". E a gente conversava, trocava umas cantadas imperfeitas, elogios insinuantes entre sorrisos intensos e olhares indefinidos. Era uma linguagem pura e bonita de sedução. E só ficava nisso.
Até que numa bela noite de lua cheia e cheiro de árvores ele veio com um olhar animal e aquela pegada firme de quem avisa: "Eu vou te engolir inteira!" e eu, com experiência "zero km", me assustei e dei o passo para trás mais tímido de toda a minha existência como quem pede "Hold on, cowboy". E isso foi tudo. Foi o mais perto dele que consegui chegar.
Graças a Deus, porque dias depois, ao tentar engatar novamente a primeira marcha, tomei um fora tão intempestivo e tão dolorosamente descomunal que até hoje trago a cicatriz. O motivo? Eu era "muito novinha" pra ele... Tudo bem que perdi o chão, o rumo de casa e fui parar no inferno, mas hoje, sei que o trauma poderia ter sido bem pior.

Atualmente são necessárias algumas horas de carro na estrada para chegar à minha cidade. É lá que vivem meus familiares, meus grandes amigos e o meu passado. Soube que "o partidão" se separou da mulher. E ele também já sabe que o meu coração agora tem dono. Então, ninguém se esbarra a não ser quando a vida resolve aprontar das suas.
Num desses feriados prolongados na minha cidade, eu contava empolgadíssima as minhas "aventuras policiais", feito gente grande, numa roda de amigos onde, em meio a muita risada, choviam essas perguntas curiosas e ninguém piscava pra não perder o fio da meada... Era eu me sentindo de alguma forma interessante. E eis que o meu passado resolve aparecer no meio da noite pra me assombrar. A chegada do "partidão" era a deixa para que eu concluísse a minha historinha e evaporasse dali resignada e obediente, como manda a etiqueta do mais fraco... Mas dessa vez foi diferente. O presente me era tão mais pulsante e atraente! Eu estava tão bem, tão feliz e com tantos amigos querendo saber tudo sobre como era na polícia, e como é que eu fazia e não sei mais quê... que minha respiração foi se acalmando e eu fui ficando!
 O "partidão" entrou... veio me cumprimentar de um jeito que não era o seu, mas que me pareceu adequado, e até participou daquela sabatina de amigos! Cara! Vocês precisavam ver o jeito disfarçadamente espantado e surpreso como ele me olhava... Foi naquela noite que vi nos olhos dele como aquela guriazinha tímida de 15 aninhos cresceu e se tornou uma mulher.
 Até sonhei que estava cantando "Baba, baby, baba" pra muita gente esnobe na polícia que ainda me chama de "Novinha".


(Mulher na Polícia - 04/09/2010).

8 comentários:

disse...

Gente, Audrey no blog!!!
Que lindo!
Antes de falat do texto tem um vídeo dela, acho que nesse filme, que eu adoro.
Deixar o link aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=BOByH_iOn88

Bem, sobre o texto...
Existem pessoas que fazem um estrago tão grande em nossas vidas que não deveriam ter perdão por isso.

Mas, sem querer ser clichê, o mundo dá voltas. E um dia aquela pessoa que nos fez mal, nos machucou ou qualquer coisa do tipo pode aparecer. E ver a grande burrada que fez...

E "Baba, baby" é prefeita pra esse tipo de situação.

Regina disse...

adorei esse texto também, alias todos dela são fantásticos...parabéns PRI e INSPETORA, vcs duas sao demais!

Mulher na Polícia disse...

Uau!
Audrey Hepburn!!!
Show! Espetacular, amiga!
Linda!

; )

Cada postagem sua é uma surpresa pra mim...

Um beijo!!!

Mulher na Polícia disse...

Lê,

Coitado... o partidão hoje tá numa vida toda errada. A gente tem que se ligar que às vezes os nossos planos não são os planos de Deus pra nós.

Beijo, minha linda!

Mulher na Polícia disse...

Regina, querida!

Tudo fica mais fácil, quando encontramos bons parceiros pelo caminho. Você, a Pri, a Lê são (e serão mais ainda) grandes parceiras.

Pri!!! Tem post novo lá no blog da Regina e outro no blog da Lê! Passa lá! Eu não perco nem um!

Beijos meninas.
Cuidem-se!

Cacá disse...

Eu comecei a ler a crônica e disse pra mim mesmo: uai, já vi isso em algum lugar! Lembrei-me na hora da Novinha lá do MULHER NA POLÍCIA. Ao final constatei que não estava enganado. Ela é mesmo genial. Se for uma policial como é escritora, esse Brasil está no caminho certo. rsrs. Abraços. Paz e bem.

Sandro Dálio disse...

Pri, não publique esse comentário!

Olha só, já separei os filmes que vou te dar, todos originais!

1) Uma Linda Mulher-Comédia/Romance: Richard Gere e Julia Roberts.

2) Paixão Proibida-Romance: Ralph Finnes e Liv Tyler.

3) A ROCHA- Ação: Nicolas Cage e Sean Connery

4) Toy Story 2-Animação!

Responda-me quando vem pegar ok, ou se quer que eu te leve!

Abraço
Sandro

* _ Pri CastRo _ * disse...

Obrigado a todos você por participarem com tanto carinho do blog!
Permaneçam por aqui...

Q que bom que gostaram da Audrey...num achei imagem q dissesse 'mulher e ponto' mais que essa...